11 de mar. de 2014

Prazo, o Baguera

Saindo um pouco do formato de roteiro. Segue uma pequena crônica só pra passar o tempo ;)


PRAZO, O BAGUERA

  O assunto aqui tratado será o prazo, e quando escutam isso algumas pessoas podem pensar em prazo de validade de alimentos e medicamento, ou então o prazo de receber alguma coisa. Só que nesse caso especificamente o foco está no prazo para entregar ou fazer alguma coisa, e esse costuma ser muito mais urgente. Por mais que possamos ficar ansiosos esperando alguma coisa chegar, não se compara a emoção , ou melhor, a tensão de se estar do outro lado e ver o prazo final se aproximar sob o risco de não dar tempo. E esse é justamente o X da questão, o tempo. É ele, que travestido de prazo, exerce todo esse poder sobre nós. 
  Já é meio batido dizer que o tempo não para, e se refletirmos (por um segundo para não perdermos tempo), mesmo correndo o risco de soar pessimista, ele está sempre acabando. O tempo urge, e me apoderando da famosa citação, ele na verdade ruge! Ruge como um leão no nosso encalço, para nos lembrar que se dermos mole ele nos engole.
  Porque será então que gostamos de provocar o prazo, de cutucar esse felino feroz com vara curta? Eu sei, e nem adianta negar, que a maioria absoluta, salvo alguns poucos bons domadores de tempo, costumam deixar para o último segundo, esperando que o prazo dê seu bote. Eu mesmo me incluo nessa legião de procrastinadores. Na época da escola, em dia de prova eu acordava umas 3 ou 4 horas antes para estudar, sabendo que ou eu decorava tudo ali, ou era devorado pela falta de tempo. Muitos faziam ou fazem o mesmo sob o pretexto de que tudo fica mais fresco na cabeçam, e tudo bem, faz lá o seu sentido, mas que justificativa dar então para o pagamento do imposto de renda por exemplo? Eu não sei os números exatos, mas acredito que 90% das pessoas deixa para o último dia a prestação de contas com o leão. Desde já me desculpo por frustar alguns, mas eu não tenho a resposta e nem é o meu objetivo aqui chegar até ela, mas creio que muitos sábios e estudiosos tem textos que ao menos tentam responder essa questão, basta googar se você tem essa curiosidade e urgência.
  O meu objetivo aqui é outro, é deixar um alerta. O prazo é como a pantera Baguera da história do Mogli, o menino lobo. Ela, diferentemente de Shere Khan (o tigre) que faz sempre questão de dizer e mostrar o quanto ele é perigoso, é muito mais discreta, quase sonolenta, mas como a história conta, muito mais perigosa. Ela, como uma sombra negra fica a espreita camuflada, vendendo uma falsa sensação de segurança para a sua presa. Por isso não se esqueçam, tudo tem um prazo, até esse texto que não está em uma revista ou jornal e aparentemente está livre disso. Só que o seu autor está sujeito, como tudo mais, ao prazo da vida. Então não percam tempo, piscamos os olhos e já passou o carnaval. E como o ano por aqui só começa agora, vamo que vamo! Porque em junho já tem a Copa, que nada mais é do que a pantera camuflada de oba oba comendo o nosso ano. 

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